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O TikTok realizou testes nos quais milhares de usuários, incluindo crianças e adolescentes, teriam recebido versões falsas de recursos de segurança da plataforma, segundo acusações apresentadas pelo Estado de Nova York (EUA) em processo contra a empresa.
Os testes envolveriam ferramentas, como o Algo Refresh, recurso criado para permitir que usuários reiniciem suas recomendações e tentem escapar de conteúdos indesejados ou potencialmente prejudiciais.
De acordo com a ação, os usuários selecionados para os chamados testes “fantasmas” ou de placebo acreditavam ter ativado a ferramenta. Na prática, porém, seus feeds não eram alterados como acontecia com pessoas que receberam a versão funcional do recurso.
As acusações fazem parte de uma versão atualizada da ação movida pela procuradora-geral de Nova York, Letitia James. O processo foi originalmente apresentado em 2024 e teve trechos mantidos sob sigilo até que um juiz determinasse sua divulgação.
Os documentos divulgados também apresentam acusações sobre outro experimento realizado pelo TikTok, anteriormente revelado pela Bloomberg.
Nesse caso, usuários teriam sido selecionados aleatoriamente para não receber determinados recursos de segurança destinados a limitar a exposição a conteúdos prejudiciais.
Segundo a ação, um adolescente de Nova York que fazia parte desse grupo morreu por suicídio depois de receber conteúdos relacionados a automutilação e suicídio. Uma análise interna teria indicado que o jovem foi exposto a uma quantidade excessiva desse tipo de material.
A relação entre o experimento e a morte, contudo, aparece no processo como uma alegação e não como uma conclusão judicial estabelecida.
O TikTok afirma que a segurança dos usuários, especialmente dos mais jovens, é prioridade. A empresa também contesta as acusações apresentadas por Nova York.
Em declaração à Reuters, um porta-voz afirmou que a companhia realiza regularmente testes de novos produtos e recursos para avaliar a experiência e entender como eles funcionam no mundo real. A empresa também disse que as alegações apresentadas no processo caracterizam de maneira incorreta o funcionamento do Algo Refresh.
O processo de Nova York faz parte de uma ofensiva mais ampla contra o TikTok. Mais de duas dezenas de estados estadunidenses já moveram ações acusando a plataforma de desenvolver mecanismos que incentivam o uso excessivo por crianças e de apresentar informações enganosas sobre seus recursos de segurança.
Em setembro, o TikTok chegou a acordo com o Estado do Alabama, que pode envolver o pagamento de até US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão) e mudanças no funcionamento da plataforma para adolescentes no estado.
O post TikTok teria dado recurso de segurança falso a crianças e adolescentes em teste apareceu primeiro em Olhar Digital.
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