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Uma equipe de pesquisadores do Japão e dos Estados Unidos desenvolveu o que descreve como o primeiro chip spintrônico de silício baseado em p-bits do mundo. O dispositivo foi criado por cientistas da Universidade de Tohoku, no Japão, e do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST), marcando um avanço na área de computação probabilística, tecnologia apontada como promissora para aplicações em inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina.
Segundo os pesquisadores, o componente foi fabricado em um chip de silício utilizando processos convencionais da indústria de semicondutores. A equipe também afirmou ter comprovado experimentalmente o funcionamento do p-bit, considerado a unidade básica da computação probabilística. O estudo foi publicado na revista científica IEEE Electron Device Letters.
Os computadores atuais processam informações usando bits que assumem apenas dois estados possíveis: 0 ou 1. Esse modelo binário está presente em praticamente toda a infraestrutura digital moderna, incluindo smartphones, supercomputadores, centros de dados e sistemas de inteligência artificial.

No entanto, os cientistas destacam que esse método encontra limitações quando precisa explorar um número muito grande de possibilidades para encontrar soluções. Nesse contexto, entram os p-bits, elementos eletrônicos que oscilam aleatoriamente entre os estados 0 e 1.
A computação probabilística aproveita essa característica para explorar simultaneamente diferentes possibilidades. Por isso, é considerada uma alternativa atraente para tarefas relacionadas a IA, machine learning e problemas de otimização.
A pesquisa foi liderada por Ju-Young Yoon, PhD e pesquisador do laboratório de nanoeletrônica e spintrônica da Universidade de Tohoku. O trabalho combinou técnicas de fabricação de semicondutores e de dispositivos spintrônicos desenvolvidas tanto no Japão quanto nos Estados Unidos.
A spintrônica é uma tecnologia que processa e armazena informações utilizando o spin quântico dos elétrons. Em vez de depender apenas da carga elétrica, ela explora também as propriedades magnéticas dessas partículas.
De acordo com os pesquisadores, essa abordagem é considerada especialmente promissora para a construção de computadores probabilísticos porque dispositivos magnéticos em escala nanométrica conseguem gerar naturalmente comportamentos probabilísticos por meio de flutuações magnéticas.
Para produzir os transistores e as camadas inferiores de interconexão, a equipe utilizou o processo CMOS de 130 nanômetros fornecido pela SkyWater Technology, empresa de semicondutores sediada em Minnesota, nos Estados Unidos.
Posteriormente, os pesquisadores integraram nanodispositivos superparamagnéticos e eletrodos superiores utilizando as instalações de fabricação de dispositivos spintrônicos da Universidade de Tohoku.

Os testes mostraram duas características consideradas essenciais para o funcionamento de um p-bit. A primeira foi a observação de flutuações estocásticas na tensão de saída ao longo do tempo, comprovando que o dispositivo podia alternar naturalmente entre diferentes estados.
A segunda foi a capacidade de controlar a saída média por meio da aplicação de uma tensão de entrada. Isso permitiu ajustar o comportamento probabilístico do componente.
Segundo os cientistas, esta é a primeira demonstração experimental de um p-bit spintrônico integrado monoliticamente em um chip de silício utilizando processos de circuitos integrados semicondutores.
Os pesquisadores afirmam que os resultados podem abrir caminho para o desenvolvimento de computadores probabilísticos spintrônicos maiores e mais complexos.
A expectativa da equipe é que avanços adicionais nas tecnologias de dispositivos e circuitos, além do aumento do número de p-bits integrados, aproximem essa arquitetura de uma implementação prática em larga escala.
O post Japão e EUA criam primeiro chip spintrônico de silício apareceu primeiro em Olhar Digital.
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