A Ypê informou neste sábado (9) que manteve as linhas de produção da fábrica de líquidos em Amparo (SP) paradas, mesmo após entrar com recurso à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que suspendeu a determinação de interromper a fabricação e venda de dezenas de produtos.
A fábrica de líquidos segue parada desde quinta-feira (7), quando a Anvisa determinou a suspensão da fabricação dos produtos lava-roupas, lava-louças e desinfetantes de número de lote final 1.
A empresa afirma que esta medida continua em curso, independentemente do efeito suspensivo obtido com o recurso, e tem como objetivo acelerar o cronograma e a conclusão de medidas apontadas pela Anvisa durante a última fiscalização.
“Com a conclusão de mais esta etapa nos próximos dias, a Ypê reforça sua colaboração máxima com as autoridades na busca por uma solução definitiva para a situação, o mais breve possível”, informou a empresa em nota.
Recurso tem efeito suspensivo automático
A Ypê informou na sexta-feira (8) que apresentou um recurso à Anvisa contra a resolução que determinou o recolhimento e a interrupção da fabricação, da comercialização, da distribuição e do uso de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca com numeração de lote terminada em 1. Segundo a empresa, com a apresentação do recurso, a proibição teve seus efeitos automaticamente suspensos até novo pronunciamento da Anvisa.
A fabricante baseia esse entendimento no artigo 17 da RDC 266/2019 da própria agência. A Anvisa confirmou que, de acordo com a legislação em vigor, o recurso administrativo apresentado tem efeito suspensivo sobre as ações determinadas pela agência. O recurso da Ypê deverá ser julgado nos próximos dias pela Diretoria Colegiada da Anvisa.
Apesar do efeito suspensivo, a agência reguladora informou que não alterou sua avaliação técnica sobre os riscos sanitários identificados durante inspeção realizada na linha de fabricação da Química Amparo, unidade localizada em Amparo (SP).
“A Anvisa esclarece que não houve revisão sobre a avaliação técnica do risco sanitário diante do quadro verificado na inspeção”, afirmou o órgão.
A recomendação da agência aos consumidores permanece inalterada. A Anvisa orienta que as pessoas não utilizem os produtos atingidos pela medida e entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para receber orientações sobre recolhimento, troca, devolução, ressarcimento ou outras providências.
“Durante a inspeção, foram constatados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo. Entre eles, incluem-se falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. Os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos essenciais de Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de ocorrência de contaminação microbiológica, ou seja, presença indesejada de microrganismos patogênicos”, disse a Agência.
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Histórico de contaminação microbiológica motivou nova inspeção da Anvisa
- Segundo a Anvisa, a inspeção que resultou na suspensão da fabricação e no recolhimento dos produtos está relacionada a um “histórico de contaminação microbiológica” registrado na empresa em novembro de 2025;
- Na ocasião, a Ypê anunciou um recolhimento voluntário cautelar de lotes após identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa exclusivamente em produtos lava-roupas líquidos;
- “A inspeção recente foi realizada justamente em razão do histórico de contaminação microbiológica e de novos elementos que indicavam necessidade de reavaliar as condições de fabricação”, afirmou a agência ao g1;
- O recolhimento atual abrange todos os lotes com numeração final 1 de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes fabricados na unidade da Química Amparo.
A inspeção mais recente ocorreu entre os dias 27 e 30 de abril de 2026 e foi realizada em conjunto pela Anvisa, pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP), pelo Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas e pela Vigilância Sanitária municipal de Amparo.
Os fiscais concentraram a avaliação nas linhas de produtos líquidos, incluindo lava-louças, lava-roupas e desinfetantes produzidos na mesma unidade industrial.
De acordo com a Anvisa, foram identificados descumprimentos relevantes das chamadas Boas Práticas de Fabricação (BPF), incluindo fragilidades nos sistemas de garantia e controle de qualidade, procedimentos de limpeza e sanitização, validação de processos e controle microbiológico.
Segundo a agência, esses pontos estão diretamente ligados à prevenção de desvios microbiológicos, ou seja, falhas que podem permitir a contaminação dos produtos por microrganismos.
As Boas Práticas de Fabricação da Anvisa consistem em um conjunto de normas, princípios e procedimentos técnicos obrigatórios destinados a garantir a segurança, qualidade e eficácia de produtos como medicamentos, alimentos, cosméticos e saneantes. As regras atuam de forma preventiva em toda a cadeia produtiva para evitar contaminações e riscos à saúde.
Apesar da relação técnica entre o episódio registrado em novembro de 2025 e a nova medida adotada nesta semana, a Anvisa esclareceu que a decisão atual está fundamentada nos achados da inspeção realizada em abril de 2026, e não exclusivamente no caso anterior.
Questionada sobre a existência de risco de contaminação microbiológica nos produtos atingidos pela decisão, a agência afirmou ter identificado risco sanitário associado à possibilidade de contaminação, considerando o conjunto de irregularidades encontradas.
As medidas adotadas pela agência — recolhimento, suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos — foram classificadas pela Anvisa como preventivas e proporcionais.
Após o episódio registrado em novembro do ano passado, a agência informou que acompanhou o recolhimento voluntário realizado pela empresa e recebeu informações sobre as quantidades retiradas do mercado e a destinação dos produtos.
Segundo a Anvisa, o caso permaneceu sob monitoramento sanitário, o que levou à realização da nova inspeção para verificar se as Boas Práticas de Fabricação estavam sendo cumpridas e se as medidas adotadas pela empresa haviam sido efetivas.
Nota da Ypê
A seguir, leia a nota completa da Ypê, divulgada neste sábado:
“A Ypê esclarece que tem mantido suspensa as linhas de produção da sua fábrica de líquidos desde o último dia 07 de maio, responsáveis pela fabricação dos produtos lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes de número de lote final 1 (um), objeto da RE n. 1834/2026.
Esta medida continua em curso, independentemente do efeito suspensivo obtido com o nosso recurso, e tem como objetivo acelerar o cronograma e a conclusão de medidas apontadas pela Anvisa durante a última fiscalização.
Com a conclusão de mais esta etapa nos próximos dias, a Ypê reforça sua colaboração máxima com as autoridades na busca por uma solução definitiva para a situação, o mais breve possível, reafirmando, acima de tudo, o seu compromisso permanente com a segurança e a saúde dos consumidores.”
O post Ypê mantém produção paralisada em SP mesmo após recurso à Anvisa apareceu primeiro em Olhar Digital.
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